O amor aceita, mas não se engane, ele não se permitirá que o tempo passe sem transformar.
- 20 de jan. de 2020
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Eu sempre estranho um pouco a comum acusação aos cristãos de que lhes falta amor. Não por ser de todo infundada, presumo que a todos os homens falte, em mais ou menos em algumas ou muitas situações. Mas o que eu estranho é a conceituação desse amor que nos falta. Não julgo que seja amor, e portanto não deveria faltar a ninguém.
Ora e qual é a conceituação da qual falo¿ Bem, o mais comum que escuto é que o amor se dá no ato de aceitar o outro como ele é. Eu posso concordar que parte do amor é isso, mas a prática dessa definição vai além. Pois quem diz isso não se refere só a uma relação inicial do amor, espera-se que o indivíduo aceite tudo aquilo que vê de errado no objeto de seu amor. Ou seja, o tempo passa e você deve aceitar a pessoa como ela é, uma bela desculpa para nunca confrontá-la, e dizer a frase que na realidade mede se realmente nos amamos por dizê-la e por permanecer depois de ouvir: “Você está errado”.
Recentemente li um livro que continha a seguinte citação: “Amar não é aceitar tudo. Aliás, onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor”. Vladímir Maiakóvski. Um casal onde um dos cônjuges vê o outro indo em direção temerária e nada diz com medo de perder, ou mesmo para não irritar, certamente não ama. Um pai não deixa o filho ir em direção a algo perigoso se puder evitar, ele o protege mesmo da sua tolice. Não existe aceitação que permita que você fique sem fazer nada quando vê o outro indo em direção ao mal.
É isso que Deus fez. O seu amor nos conquista não importa o quão afundados no nosso lamaçal nós estejamos, Ele salva, Ele tira de lá. Mas Ele nunca se furta de dizer que estamos errados. E a nossa resposta a isso é que provará se nós O amamos. Nós permanecemos quando confrontados por Deus, ou nós nos afastamos d’Ele, pois nunca aceitamos o quanto somos amados.
Assim creio que os crentes são chamados para amar desse jeito. Aceitando quem o outro foi, e até o que ele ainda é, quando disposto a ser transformado, mas sempre avisando em tempo e fora de tempo, qual é o caminho da perdição e como devem mudar de direção para encontrar a plenitude do amor que nos foi oferecida na cruz.
De certa maneira eu escrevi algo dentro desse pensamento num soneto. Se houver interesse deixo aqui o link para você. Não estranhe o nome, é um pseudônimo que uso para poemas.
SDG

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