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Não diga “... mas Jesus salva” tão rápido

  • 9 de jan. de 2020
  • 4 min de leitura

Ao contar uma piada é preciso ter muita percepção dos momentos da piada. Se você esquece um detalhe importante, e precisa mais de uma vez voltar a narrativa para acrescentar esse detalhe, é muito provável que ela se torne sem graça. Afinal parte essencial da sensação jocosa de uma piada é a surpresa com a conclusão dos eventos. Precisa ser algo que tenha graça, no sentido de que seja uma conclusão imerecida, foi favorável a um lado, mesmo que não parecesse que isso aconteceria.

De maneira parecida, muitas vezes sinto que tiramos a graça nos nossos evangelismos, justamente porque rapidamente dizemos o “mas” citado acima. Não me refiro, necessariamente ao evangelismo apenas como algo feito numa praça com desconhecidos, e sim a todo o nosso compartilhar do que Cristo tem feito em nossas vidas, seja com amigos do trabalho, ou parentes. Temos medo de dizer que o pecado é mal e que o Inferno existe, e queremos o quanto antes pular para a parte graciosa de nossa mensagem.

Há diversas razões pelas quais eu gostaria de chamar a atenção desse problema. Mas antes de enumerar três, gostaria de questionar por que fazemos isso? Uma resposta possível é que desejamos evangelizar, mas tememos as reações, queremos fazer com que as pessoas amem tanto o evangelho quanto nós, mas isso não é possível. O evangelho é odiado por aqueles que não foram alcançados, essa é a natureza humana (inclusive influenciada pelo pecado), e se vierem a ser tocados pelo Espírito Santo, e conhecerem a graça, mesmo que tendo a nós por ferramentas, quem terá realizado a obra terá sido Deus. Isso é um encorajamento, embora não pareça. Não tema pregar o evangelho todo, pois a obra é de Deus, e Ele a realizará, esteja certo.

De maneira geral evitar o “mas” tira a graça de nossa mensagem, ofereço três razões para isso:

1-Temos de ser claros quanto aos males que o pecado gera. Isso para que não haja questões quanto a porquês de determinados problemas. É certo que há problemas que enfrentamos que não são consequência do pecado, contudo há consideráveis dificuldades que são sim frutos de nossos pecados. Por exemplo, diferentes pecados geram consequências terríveis para a vida. A preguiça levará a problemas de provisão eventualmente. Ou o roubo levará a uma depreciação pública. Ainda podemos observar que o pecado gera um sentimento de falta de valor na vida. O sentido da palavra pecado é “errar o alvo”, e isso tem muito a ver com o que é. Quando pecamos deixamos de fazer aquilo que fomos feitos para fazer e em longo prazo isso nos faz sentir maior enfado, pois o homem, mesmo não conhecendo a Deus, percebe a falta de propósito de sua vida. Poderíamos listar outros aspectos, mas a questão é que os frutos do pecado são terríveis, e numa oportunidade de conversa, deveríamos ser claros sobre isso, e não apenas correr para a existência da graça, como se advertir quanto a esses perigos não fosse importante.

2-Estamos lidando com o destino eterno das pessoas. Podemos ser claros quanto a isso. Por certo num mundo secular é natural não acreditar em Inferno, mas no mundo secular não se acredita em Deus, e isso não nos impede de crer e defender sua existência frente aos não crentes. Assim precisamos advertir que o Inferno existe e aqueles que não estão em Cristo seguem para lá. O tom disso não pode ser de ameaça, pois é errado evangelizar com ameaças. O Chaves, certa vez, conseguiu dinheiro emprestado com o Nhonho, por impedir que lhe partissem a cara. Isso pareceria altruísta, não fosse o complemente da história. Ele disse ao Nhonho: “ou me empresta dinheiro ou te parto a cara”. Se o Nhonho tivesse condições de enfrentar o Chaves, como fez em outros episódios, o Chaves nunca conseguiria o que desejava. Assim vemos que as pessoas são conquistadas pela graça de Deus não por força ou violência, mas pelo Espírito do Senhor. Então por que citar o Inferno se não é uma ameaça? Porque é um cuidado. Que falemos, mesmo da mais terrível consequência do pecado com amor.

3-Essa é certamente a razão mais importante. Nós perdemos a capacidade de explicar o tamanho do que nos foi dado. Quando dizemos que Jesus salva, sem explicar o efeito do pecado, um resultado natural é a pergunta: “salvar de que?” Essa pergunta é muito boa. Em nossa cegueira não vemos o quão terrível é a nossa condição, portanto não percebemos que precisamos de um salvador. Se não deixamos claro para as pessoas o tamanho do lamaçal no qual estamos atolados, naturalmente elas não o perceberão. Ainda que notem o vazio de suas vidas, não conseguem associá-lo ao pecado, ou a si mesmos, geralmente culpando qualquer causa externa que possam achar, menos a si mesmos. Por isso não percebem o tamanho da graça que receberam. Assim não são capazes de ver o gigantesco presente que Deus nos deu. Como Jesus ensinou: “Aquele a quem muito foi perdoado, também muito ama”. A ideia não é que alguém possa dizer que tem poucos pecados, mas muitos de nós não notam. Precisamos falar de pecado para que sejamos capazes de amar como Cristo deve ser amado.

Meu convite a você, certamente não é que pare de evangelizar, seja qual for o ambiente em que você tem essa oportunidade. Meu convite é apenas que você não tenha medo. Fale a verdade, aquilo que está na Palavra de Deus, toda a verdade, pois só assim as pessoas vão encontrar uma graça tão grande quanto nada que possamos imaginar.

SDG

 
 
 

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