A Sabedoria nas mangas e bananas
- 6 de ago. de 2019
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Meu avô, Lourival, sempre foi um dos maiores exemplos que tive na vida quando penso em um homem inteligente. Desde quando eu era criança e o associava com aquele adulto que a maioria das crianças têm, a quem podem recorrer quando com qualquer dúvida. E quando fiquei mais velho essa impressão permaneceu. Não que eu ainda pudesse tirar todas as dúvidas que surgiam, elas ficaram mais complexas, e meu avô, humildemente, dizia não saber. Mas eu comecei a perceber a razão de poder perguntar sobre tantas diferentes áreas. Ele ama o saber. Qualquer informação sobre o mundo que lhe ofereçam parece maravilhosa demais. Ele sempre fica encantado se lhe falam sobre história, política, física, matemática, teologia, todas são impressionantes, e sempre é visível o olhar instigado dele. Mas houve outro porquê que por muito tempo eu não entendi. Por que meu avô amava receber informações que lhe eram perfeitamente inúteis, em sua ocupação?
Não foi há muito tempo que eu finalmente entendi. Tinha mais uma boa conversa com meu avô, enquanto falávamos sobre a perfeição da criação de Deus. Ele então observou: “Eu sempre achei maravilhoso entender como as coisas são. Olho para uma banana e para uma manga. As duas tem um fruto muito doce, apesar disso, Ele fez uma com uma casca fácil de tirar, qualquer um pode tirá-la e se saciar rapidamente, a outra é difícil e pode-se perder muito dela no processo. Gosto de olhar as duas e perceber que o Senhor Deus fez ambas. Cada uma tem várias pequenas coisas que podemos entender, mas o autor em sua sabedoria fez as duas. O Senhor Deus é muito sábio em tudo o que fez, eu gosto de olhar”. Percebi nesse dia, com um ensinamento que até parecia faltando um pedaço, que meu avô adora a Deus quando obtém um conhecimento novo.

Diferentes personagens bíblicos adoraram a Deus quando fascinados por algum dos aspectos da sua criação. Davi, ao ver a oferta do povo para o futuro Templo, exalta a soberania de Deus em mover cada coração. Paulo exultante com a graça elogia a profundidade do conhecimento de Deus. Salomão frente a todo o conhecimento do mundo, diz que servir a Deus e teme-Lo é das coisas mais sábias que se pode fazer.
Eu não sei se você já foi a um museu mais de uma vez, para ver as mesmas obras de arte, ou marcos históricos. Eu já. Elas continuam lindas, tocantes, e magníficas. A beleza que o artista pôs naquela obra não se apaga pelo fim do ineditismo, ela continua, mesmo que eu a veja de novo e de novo. E ainda, muitas vezes é possível se concentrar num novo detalhe, que antes não recebeu tanta atenção. Creio que Deus tenha sido mais artista que qualquer artista ao fazer toda a beleza que encontramos nesse mundo. Mesmo assim, chega um momento em que paramos de nos encantar com cada mísero detalhe de sua obra.
Tenho a impressão de que meu avô não se permitiu ser assim, ou pelo menos desde que o conheci ele não foi assim. Se alguém lhe explicar as peculiaridades de uma manga, ou de uma banana, ele acha maravilhoso, porque percebe que cada peculiaridade é parte da assinatura do Artista. Eu mais e mais tenho valorizado isso, pois tenho a impressão de que a profundidade do conhecimento de Deus fica evidenciada nessas coisas, e acho que quando nos encantamos delas, seja a informação que for, temos a chance de mais e mais adorar ao Senhor Deus, o Criador. Adore a Deus hoje e sempre na beleza do seu infindável conhecimento.
SDG

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