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Judá e o poder da graça na vida dos comuns Parte 1

  • 6 de fev. de 2019
  • 5 min de leitura

Nesses textos tentaremos entender três momentos da vida desse personagem e como graça agiu, o texto consiste de quatro partes, uma introdutória e as demais já tratando dos momentos em específico.

Eu sou um leitor assíduo do livro de Gênesis. Amo a forma como Moisés torna até genealogias em causos interessantes que valem a pena (se você discorda preste atenção as primeiras genealogias do livro, lá nós descobrimos sobre a origem da música, das armas, da religião, da urbanização, tudo em genealogias). Contudo certamente a história, do ponto de vista literário, mais apurada é a história de José e seu irmão Judá. Eu sei que alterei o título que usualmente damos a essa história, mas vou tentar justificar isso.

Gostaria de ler os acontecimentos dessa história pela perspectiva de Judá, pois tenho a impressão de que muitas vezes não reparamos na importância que o lado dele tem para uma boa compreensão dessa história. Atrevo-me a dizer que Judá é o maior exemplo de graça nessa história. Então quero desenvolver três momentos da vida desse patriarca que nos ajudarão a ver como a graça age e transforma a vida de pessoas. Mas antes vamos pensar as informações iniciais que temos quanto a vida dele.

Início, das obras ao louvor

Numa biografia é bem comum observarmos o começo da vida do personagem, então vamos olhar um pouco para esse momento. Judá é o quarto filho de Jacó com Lia, e as palavras de Lia a seu respeito merecem certa atenção. Como em qualquer pessoa, Lia tinha uma percepção da religião de forma muito conectada as obras. Assim ela carecia do amor do marido, e a cada vez que concebe ela pensa algo como: “Obrigado, Senhor, depois desse, meu marido finalmente vai me amar”. Essa fala ocorre após o nascimento dos três primeiros filhos, o que também demonstra que ela não foi amada apesar de suas obras. De certo modo, pode-se dizer que a salvação (ou o objetivo da vida) na cabeça de Lia era o amor de Jacó, e as suas obras para obtê-la eram os partos. Isso é válido até o nascimento de Judá, quando o comentário muda para simplesmente: “Esta vez louvarei o Senhor”.

O texto que nos conta das gravidezes das mulheres de Jacó é dividido em ciclos. O primeiro é o de Lia que se inicia em Ruben e termina em Judá. Por isso vale a pena perceber a diferenciação que Moises faz através desses quatro filhos. Parece que ele deixa um ponto claro, a gravidez de Judá foi uma experiência diferenciada na vida de Lia, pois foi o ponto em que ela percebeu que talvez o amor de Deus lhe valesse mais que o de Judá. Vale a pena notar que posteriormente, ela ainda tem brigas com a irmã que demonstram que a questão do marido não estava resolvida, no entanto algo mudou em Lia quando ela concebeu Judá.

É nesse contexto que Judá nasce. O de uma família que tem um adorador do Senhor, a saber, Jacó, mas que aos poucos vai conquistando adeptos, e formando uma igreja a partir de cada um dos membros da casa. Ele provavelmente cresceu vendo seu pai adorar a Deus, e conhecendo Quem era o Deus de seu pai, ainda que sem um contato direto com Ele.

A mãe e os irmãos rejeitados

Os erros de Jacó na administração da sua casa, porém, não se restringem apenas as suas esposas (o que talvez possa ser considerado um erro pelo simples fato de esta palavra estar no plural). Jacó também errou porque deixava claro que amava mais a um de seus filhos que aos outros. Sim, essa parte da história todos conhecemos, contudo eu gostaria de pensa-la um pouco sob a perspectiva de Judá e não de José.

Talvez a mais forte ofensa que se pode fazer, em nossa cultura, seja atacar a honra da mãe de alguém. Um filósofo brasileiro disse certa vez que “a mãe é o último reduto que você não quer envergonhar”. Certamente, essa percepção do valor da mãe não se aplica a todas as famílias, todavia é a mais natural pelo que posso notar. Qual a importância disso para a história? As escolhas de favoritos de Jacó demonstram que ele amava mais a José e Benjamin porque estes são os filhos de Raquel. Eu te convido a uma reflexão, imagine crescer numa família em que o mérito é tudo para o recebimento de amor. Quanto melhores notas um filho tira, mais ele é exaltado frente a seus irmãos, ou quanto melhores seus resultados jogando futebol, ou ainda fazendo qualquer coisa que seja valiosa naquela família. Isso seria terrível! Pois os filhos terão a impressão (ou talvez a razão) de que os pais os amam mais por causa de seus méritos na vida, e não simplesmente por amá-los. No caso da família de Jacó, isso é muito mais grave. Pois ninguém pode mudar de mãe.

Os filhos não podem fazer nada para que os pais os amem mais. E talvez isso explique a dor de não ser o favorito na família de Jacó. Eles sabem que sua mãe não é tão amada quanto uma esposa merece. E imaginam que ela não o é, por causa daquela outra esposa, a quem ele dedica mais carinho. Assim também, eles podem supor que não são tão amados por causa da presença de um irmão que é filho de Raquel.

Nesse contexto precisamos observar um acontecimento marcante. Raquel morreu dando a luz a Benjamin. Isso é válido de perceber, pois parece claro que Lia recebeu alguma atenção a mais, a partir do momento que deixou de concorrer com Raquel. Vemos isso, no fato de ter sido ela a escolhida para ser enterrado junto do marido, entretanto maior prova disso é o sonho de José quanto as 11 estrelas, sol e lua se inclinavam diante dele. Jacó interpreta isso como sendo a mão dele, contudo Raquel está morta, o que dá a impressão de que ele considera Lia como matriarca de toda a casa. Além disso, tratando isso por verdade, precisamos concluir que os irmãos ouviram José dizer, simplesmente, que não apenas eles, o que já seria ofensivo, nem só seu pai, mas até sua mãe se ajoelharia diante de José. É possível dizer que o comentário que vem depois disso de que os irmãos tinham ciúmes de José, seja um eufemismo para sentimentos muito piores depois desse tipo de sonho revelado.

Essa circunstância, porém, nos revela outra informação importante. Eles já tinham visto a concorrência de sua mãe ser eliminada e isso facilitar a vida dela. Não poderiam considerar que o mesmo poderia se dar entre os filhos? Não há nada que se possa fazer para ser mais amado pelo pai, pois o amor dele vem do amor dele pela mãe mais amada, e essa será Raquel, invariavelmente, a única coisa que se pode esperar é que o alvo desse amor maior morra, ou pode-se adiantar esse processo.

Conclusão por hoje

A história de Judá pode ser vista de forma bem humana, as atitudes dele e de seus irmãos são factíveis. Elas demonstram quem somos e onde estamos. O mundo onde estamos é mau, e portanto nos apresenta condições que nos incomodam. Mas isso não serve de justificativa. Pois a razão dessa maldade é a presença dos nossos semelhantes que são maus, assim como nós somos. Os atos de Judá podem ter grandes justificativas, mas não se tornam certos. Assim Judá tem muito a nos mostrar sobre quem somos, e onde estamos, e eu espero que isso nos faça notar através desse personagem a forma errada como agimos quando tentamos nos justificar, e muito mais do que a vida dele tem a nos tratar pela ação da palavra de Deus.

SDG

 
 
 

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