A IGREJA NUM MUNDO CORROMPIDO
- 30 de abr. de 2017
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"Somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio" (2 Coríntios 5.20)
Quando falamos de desafios para a Igreja de Cristo, falamos em desafios permanentes. Vivemos numa das mais corruptas sociedades do mundo. Eu me lembro bem de um curso que fiz num país longínquo da Ásia, a Cidade-Estado de Cingapura. Era o ano de 2006, e fiquei lá por cerca de 25 dias. Ao chegarmos lá, os coordenadores daquele curso nos advertiram severamente que não atravessássemos a ponte que ligava a ilha ao continente, pois do outro lado era outro país, a Malásia, onde a corrupção tinha níveis alarmantes, e nos falaram que poderíamos ser detidos sem maiores explicações com a simples finalidade de sermos vítimas de algum achaque pelos servidores públicos daquele país. Imediatamente lembrei do Brasil, em que isso é tão comum que nem ligamos mais. A corrupção entranhou de tal modo na alma brasileira que simplesmente achamos normais os maiores absurdos. As pessoas de bem em nosso país lidam com o que é imoral de modo absolutamente tranquilo, desde que aquilo seja “legal”. Os demais, na maioria das vezes, nem pensam em legalidade ou moralidade. Comparando, O Brasil está na 79ª posição na percepção da corrupção no mundo, enquanto a Malásia, está “apenas” na 55ª posição desse triste ranking, segundo dados recentes da Transparency International.
Vivemos numa das mais desiguais sociedades do mundo. Estamos numa sociedade que, além de corrompida, não oferece os meios mais elementares para alcançarmos níveis aceitáveis de educação, saúde e segurança à população. Os alarmantes níveis de comprometimento de nossa sociedade, então, passam a ser moeda de troca em momentos eleitorais e em planejamentos de políticas escusas, em geral muito bem aproveitados por intensas manobras político-ideológicas que fazem de manobras paternalistas e entreguistas a tônica de um Brasil que anda cambaleante e sem rumo definido num médio e longo prazo. Nossa economia não oferece vantagens e hoje somos assoberbados por uma das mais elevadas taxas tributárias do mundo – para a qual não vemos o retorno social do Estado brasileiro. De liberal e livre, nossa economia tem muito pouco, gerando elevadíssimas taxas das quais nos envergonhamos mundo afora. Enquanto isso, os velhos e mofados discursos de ideologias malfadadas e derrotadas mundo afora, criam ninhos de esperança num povo desesperançado. Nossos vizinhos Venezuela, Bolívia e Equador estão à frente nessa caminhada, o que nos deixa exemplos claros e próximos do que pode nos aguardar adiante.
Corrupção e sociedade: apenas duas das coisas que nos tumultuam o pensamento enquanto cidadãos. E parece que somos vítimas de nós mesmos, quando achamos que somos imperadores de nós mesmos, numa paráfrase livre ao título do norueguês Henrik Ibsen: “Peer Gynt, o imperador de si mesmo”, em que há uma atmosfera subjacente de que há um preço a se pagar quando ocorre o afastamento da ordem desejável. No nosso caso, pessoas ocidentais de formação judaico-cristã, isso tem a ver com a estrutura da ética cristã. É exatamente nesse ponto de nossa conversa que precisamos nos perguntar porque estamos em situação tão desesperadora. E precisamos fazer a pergunta fatal aos nossos corações: se já estamos no fundo do poço, como fazer para sairmos dali? A resposta é simples, mas às vezes não queremos olhar para ela: não há alternativa para nossa sociedade a não ser algo que está fora dela, que é Jesus Cristo. O sábio disse que a “opressão transforma o sábio em tolo, e o suborno corrompe o coração” (Eclesiastes 7.7). Mesmo assim, as pessoas que estão o mundo sem ter Cristo como sua base, continuam pela Lei de Gérson, querendo ser as mais espertas, querendo sempre “se dar bem”, mesmo que isso represente oprimir e corromper, inclusive a si mesmas. Jesus Cristo é a única resposta possível e existente para que as vidas sejam transformadas. Como as sociedades são compostas por vidas, por pessoas, não é possível ter uma nova sociedade sem que as pessoas experimentem nova vida, e essa, em Cristo. Quando uma multidão de pessoas se conscientiza, pela ação do Espírito Santo, da obra salvadora de Cristo, gerada no coração do Deus Pai desde a eternidade, alguma coisa de imponderável e profundo ocorre para fora das pessoas, inundando a sociedade com o bem e a paz que vêm da parte de Deus. Por isso o sábio, em Provérbios 29.2, diz em claro contraste que “Quando os justos florescem, o povo se alegra; quando os ímpios governam, o povo geme.”
Temos experimentado em todos os níveis da sociedade o gemido do povo. Será que chegou a hora de vermos nosso Brasil saindo de seu gemido e atingindo a alegria de seu povo? Para isso, a Igreja de Cristo precisa ser Igreja verdadeira, uma voz firme a atuante, uma verdadeira atalaia dos justos juízos e do amor de Deus. Como o apóstolo Paulo deixou para nós, “somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio” (2Coríntios 5.20), ou seja, compete a cada um de nós, como Igreja do Senhor, dizer ao mundo que há uma resposta, que é Cristo, sem a qual jamais seremos outra coisa a não ser um povo que geme. Deus é bom e a sua misericórdia não tem fim: podemos e devemos experimentar momentos melhores em nossa terra, desde que a Igreja de Cristo cumpra seu papel transformador. Sigamos em frente nosso povo se alegre e para que Deus seja glorificado.

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