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A SOMBRA DE GRAMSCI

  • 25 de abr. de 2017
  • 8 min de leitura

Este texto é uma revisão de texto anteriormente publicado

Não creio em ruptura de história. Não secciono a história. Como pensador reformado, não creio numa história circular ou helicoidal, mas creio numa história retilínea, sob a égide do olhar soberano de um Deus que se faz presente e interfere na história do homem, da criação e da redenção. Aprendo a relação humanista para a conhecer e, se preciso, para a combater. Por isso, vamos lá: o pensamento político do PT bebe na fonte de dois grandes e importantes pensadores, o que não quer dizer que eu concorde com eles. Um já morreu, outro é contemporâneo nosso, embora já idoso. De um, falo mais. Do outro, apenas uma menção.

Antonio Gramsci (1891-1937), um dos fundadores do Partido Comunista Italiano, talvez tenha sido o primeiro defensor de uma mudança de atitude planejada quanto à tomada do poder. Ainda com poucos anos da Revolução Soviética (Bolchevique) de 1917, ele achava que no ocidente, com raízes sociais mais bem fixadas, uma tomada de poder nos moldes leninistas seria inconsequente e de pouca eficiência. Ele se referia primeiramente à Europa ocidental, mas seu pensamento depois foi assimilado pelos marxistas gramscianos no restante do ocidente, e se fixou em pensadores americanos e, particularmente, ganhou muitos adeptos após a crise do marxismo de Estado de fins dos anos 80. Gramsci ficou preso um bom tempo, durante o qual escreve sua obra maior, somente disponibilizada de forma integral nos anos 70, cujo título é Cadernos do Cárcere, onde defende que a tomada do poder é necessária, mas deveria ser diferente do que se viu na antiga Rússia, China, Coreia do Norte, Cuba, etc. Para ele, a tomada do poder por via aparentemente democrática legitimaria o poder tanto quanto a conquista armada, mas com a possível aquiescência popular.

Esse texto se torna a “bíblia” das esquerdas politicamente mais organizadas, menos intelectualizadas (e mais populares) e mais pacientes a ponto de terem planejamentos de longo prazo, sendo expressados de forma partidária e por lenta conquista de cadeiras em parlamentos. Gramsci dizia que o marxismo não deve ser imposto pela força, mas por meios pacíficos, políticos e discretos, com infiltração lenta e gradual, implantando aos poucos a ideia revolucionária (não os meios armados da revolução). A estratégia reside em utilizar o voto e a representatividade política legal para que as ações sejam aceitas paulatinamente pelo povo, que, levado pelas benesses oferecidas sob a efígie do marxismo igualitário, assume aos poucos a ideia de um marxismo “por osmose”, ou seja, um marxismo de benefícios sociais, não o marxismo intelectual. É nesse ponto que Gramsci faz uma importante troca de terminologia e de noção, mudando a famosa “ditadura do proletariado” por “hegemonia do proletariado”, pois o termo “ditadura” não seria bem aceito no ocidente mais consolidado nas conquistas de liberdade. Para ele, também, a classe popular tutelada deveria ser levada a “ocupar os espaços”, sendo ao mesmo tempo dirigente e dominante de seu próprio destino. Aqui chegamos ao decreto que instrumentaliza os “conselhos populares”, aqui sob a chancela denominada Política Nacional de Participação Social (PNPS). Como comprovação prática, leia-se no Art. 4º, I: “consolidar a participação social como método de governo”, o que está totalmente de acordo com a cartilha gramsciana. Não apenas esse item, mas todo o escopo é gramsciano.

A propaganda chega a ser quase subliminar, mostrando a importância de segmentos do povo poderem se representar junto às esferas de decisão política, com uma espécie de entorpecimento gradual, com intrincadas costuras e alianças políticas, a fim de que a tomada do poder possa se consolidar, com calma, por vias de convencimento popular. E até mesmo de pensadores mais preparados intelectualmente aderem a esse modelo. Nada de novo: apenas desconhecimento das origens. A ideia da hegemonia nada mais é que a criação de uma espécie de mentalidade uniforme, antes obtida pela força, agora pelo convencimento. Medidas e critérios são dados gradualmente à população a tal ponto que, quando o marxismo estiver no poder, pouca gente notará que ele chegou, conforme pregava Gramsci. Ele dizia que o partido representaria o intelectual coletivo (uma espécie de mentor coletivo direcionado ao marxismo), enquanto os formadores de opinião representariam o intelectual orgânico: é aqui que entram os professores, os jornalistas, os artistas, etc. Já a ideia da ocupação de cargos, a prática atual mostra o aparelhamento do Estado e de todas as instituições (instâncias de governo, empresas públicas, autarquias, e até empresas privadas), com ocupações políticas, tornando conclusa a orientação de Gramsci de simplesmente ocupar os espaços possíveis a fim de não deixar lacuna que servisse de oposição. Do meio da “ocupação” vem a “hegemonia”, com a utilização de todos os meios possíveis para disseminar a ideologia marxista, primeiro por torná-la “inteligente” e "progressista", enquanto os demais são “tolos” e "retrógrados". Por isso a importância da tomada da consciência dos meios de ensino e aprendizagem e de grande afluência de pessoas, principalmente em formação, pois os confrontos passariam a ocorrer na esfera das respostas intelectuais e não a partir das armas. Junte-se a isso a institucionalização das terminologias esvaziadas de conteúdo, mas de grande peso de propaganda, como “burguês”, “classe dominante”, “capitalismo selvagem”, "retrocesso social" em contraposição a “poder popular”, “ascensão das minorias”, “representatividade popular”, "conquista social" etc. Nada disso é percebido pelo povo brasileiro, que é desacostumado a raciocinar com base na história e nos tratados políticos.

A ordem leninista, pela qual o Estado deveria ser tomado para, depois, gerar uma transformação radical na sociedade, é invertida no pensamento de Gramsci, que faz leitura de que primeiro a sociedade deve ser fundamentada e transformada para, em seguida, o Estado ser tomado. Isso se daria por privar a sociedade civil de ter acesso ao poder do Estado, pelo que seria uma “revolução” do espírito das pessoas comuns, legitimando a vitória do marxismo. O ápice seria o que ele chamava de “superação do senso comum”, ou seja, a hegemonia do pensamento em torno dos temas básicos que sustentam o Estado em sua nova ordem. Nesse ponto o Estado está pronto para se denominar uma “verdadeira democracia”, dizendo ter chegado ao topo da conquista, o que torna ilegítima a oposição e torna inconsequente a continuidade da pluralidade partidária oposicionista. Chega-se à ditadura de partido, quando uma classe política, legitimada pelo sufrágio universal, chega ao poder e não sai mais dele. Os exemplos mais recentes no entorno do Brasil são Venezuela e Bolívia, com seu bolivarianismo marxista. Na Cuba de Fidel, de revolução armada, temos, na voz de Anita Prestes, “outro elemento importante do sistema político cubano é a existência, de acordo com a Constituição, de um único partido – o Partido Comunista. Não se trata de um partido eleitoral, e por isso não participa do processo eleitoral, designando ou propondo candidatos ou realizando campanha a favor de determinados candidatos. Seguindo o caminho apontado por José Marti, fundador do Partido Revolucionário Cubano - partido único como única via para conquistar a unidade de todo o povo na luta pela independência e a soberania do país, e também na luta por justiça social -, o Partido Comunista de Cuba se diferencia do conceito clássico de partidos políticos.” Achei interessante a Anita dizer a seguir que “é importante ressaltar que o PC é constituído pelos cidadãos mais avançados do país”. E "cidadãos avançados" não seria terminologia contra o igualitarismo? Curiosamente o texto da Anita Prestes começa com uma frase de Abraham Lincoln que diz "O governo do povo, pelo povo e para o povo”. Veja o texto completo aqui.

Como chegar lá? Gramsci diz que a sociedade é um complexo sistema de pensamentos e usos, e que deve se travar a batalha no campo das ideias, com a subtração paulatina de conceitos e verdades, eliminação de células primárias da sociedade (como a família tradicional) e deformação dos pressupostos formacionais da sociedade que, no nosso caso, significa dizer a ruptura com os parâmetros judaico-cristãos que formalizaram a base ocidental. Assim, nada de modelos arcaicos, como Marx e Lênin com seus proletários, ou Mao com seus camponeses, mas pelos formadores de opinião, intelectuais, educação, estudantes, classe média, cultura e meios de comunicação social, buscando, mudar o pensamento das pessoas, implantando valores da ideologia marxista no lugar dos valores anteriores do ocidente cristão. Na América Latina de nossos dias, o Caderno do Cárcere está sendo aplicado por gente que está no poder ou que o orbita permanentemente, como Lula e seus correligionários, Morales, Kirchner, Vasquez e Zapatero. Na Venezuela, Chávez ficou sobre o muro, dando um “empurrãozinho” em Gramsci com fraudes eleitorais e uso da força, até que Maduro veio e esculhambou de vez as coisas para o lado deles, o que colocou a Venezuela neste momento em pé de guerra civil. Por aqui, a Via Campesina e o MST, com declarado apoio do PT, mantêm-se a postos: eles não são gramscianos natos exatamente porque guardam a essência leninista. Parece que estão esperando para ver no que vai dar o esforço do PT e dos demais partidos à esquerda. Se isso falhar, quem sabe, aderem a ações menos sutis e partem para algo mais diretamente combativo.

Onde surge Chomsky? Até fim dos anos 80, muitos teóricos do socialismo na América Latina ainda defendiam a tomada do poder pelos caminhos de Cuba, por exemplo. Mas, após isso, a força marxista se apropria do pensamento de Gramsci, agora aparelhado pelas reflexões do outro importante pensador a que me refiro, Noam Chomsky (1928- ), professor de linguística do renomado MIT, que expressa suas posições políticas de forma contundente principalmente pela defesa do anarcossindicalismo e do socialismo libertário. Na verdade, ele se torna o veículo que dá fluidez contemporânea aos pensamentos de Gramsci, com suas próprias interpretações, como fiel escudeiro que "melhora" as ideias mais primitivas de seu guru. Mas não entrarei em seus postulados agora, pois o fundamental era destacar que as coisas não são inocentes como parecem.

O Brasil está sendo atropelado pelos princípios de um marxismo duro que tornará nosso país um Estado de exceção permanente, aparentemente feliz e amortecido. O ocidente está caminhando a passos largos para esse mesmo caminho. Até mesmo os EUA enfrentarão dentro em breve a mesma realidade. A coisa é tão séria que muitos salvadores da pátria que são carinhosamente alcunhados pela esquerda de "ultradireitistas" ou de "radicais de direita", promovem, ao contrário de seus discursos, muitas práticas notadamente à esquerda, como se servissem de elos velados para um disfarce final. Teoria da Conspiração? Não: apenas o acompanhamento de textos claramente direcionados a um planejamento de longo prazo, cujas intenções também são claramente expostas, sem qualquer restrição, por pessoas que achavam (creio que até sinceramente em alguns casos) que isso tornaria a sociedade algo melhor do que é agora. As bases de nossa sociedade serão retiradas, as medidas éticas modificadas, as leis contrairão afinidades com esses grupos à medida que os velhos juristas se forem, a imprensa será totalmente definida como propaganda de Estado, o Estado será totalmente aparelhado, as liberdades individuais e sociais conquistadas nos últimos 2 mil anos de história simplesmente desaparecerão, o clero de qualquer fé não alinhada será proibido, a profissão nessas fés será restringida e até proibida, a economia será tutelada e manipulada pelo Estado, etc., etc. E, para tornar tudo isso possível em termos continentais, temos o Foro de São Paulo. Mas, aí, é outra conversa, para outro dia... No Brasil, são signatários os partidos: PDT, PCB, PCdoB, PPL, PPS, PT, PSB.

Resumo da ópera: não voto no PT. Não voto nos partidos signatários do Foro de São Paulo. Não entendo cristão votando no materialismo filosófico ou dialético (isso é antitético ao cristianismo). Eu não me esqueço que o socialismo matou no século XX mais gente que todas as guerras modernas juntas. Não sai de minha cabeça a perseguição sofrida pelos cristãos na Cortina de Ferro de antes e da Coreia do Norte, de Cuba e da China de hoje. Não esqueço a imagem sofrida de Richard Wurmbrand, saído havia pouco de 14 anos em solitária comunista, a quem tive o privilégio de conhecer quando criança. Peço a Deus que poupe nosso Brasil.

Acima é tudo fonte primária, sem interpretação.

  • Em tempo 6: o vídeo disponível no Youtube é bem interessante e fala sobre alguns aspectos constantes neste texto em conexão com o Foro de São Paulo

  • Em tempo 7: vale a pena assistir um vídeo com o depoimento do Pr. Richard Wurmbrand bem antes de sua morte

 
 
 

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