UMA ENTRADA TRIUNFAL
- 10 de abr. de 2017
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Ontem foi comemorado o Domingo de Ramos, que marca o início da Semana Santa no calendário cristão do Ocidente. Lucas descreve assim o início desse trecho: “Depois de dizer isso, Jesus foi adiante, subindo para Jerusalém. Ao aproximar-se de Betfagé e de Betânia, no monte chamado das Oliveiras, enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: ‘Vão ao povoado que está adiante e, ao entrarem, encontrarão um jumentinho amarrado, no qual ninguém jamais montou. Desamarrem-no e tragam-no aqui. Se alguém lhes perguntar: ‘Por que o estão desamarrando?’ digam-lhe: ‘O Senhor precisa dele’” (leia todo o trecho ao final da página). Ele prossegue dizendo que os discípulos obedeceram e, ao chegarem lá, aconteceu exatamente como Jesus tinha lhes dito. Jesus escolhe para a sua entrada em Jerusalém não uma bela e imponente montaria, mas um jumentinho. De pequeno porte, não exaltaria a figura do Messias, embora ele já fosse bastante conhecido para prescindir disso.
Sendo Deus, nosso Salvador se contenta com um burrinho, dando provas cabais de seu esvaziamento da glória que lhe pertencia para cumprir seu ministério vicário em nosso favor. Por essa razão o apóstolo Paulo nos exorta em Filipenses 2.5-7 que devemos ter esse gesto como nosso padrão: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.” Podemos ver claramente que Jesus Cristo não fez de sua encarnação um tempo pelo qual poderia promover a sua existência entre nós, buscando poder, riqueza, domínio e sucesso: ele tinha tudo isso e muito mais, pois era Deus! Não: Ele abriu mão de sua glória a fim de que os que o Pai lhe confiara pudessem finalmente ouvir o chamado doce e suave do Bom Pastor, que, ao dar a vida pelas ovelhas, lhes daria finalmente a vida eterna. João diz “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” e “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas; e elas me conhecem” (João 10.11,14), enquanto Pedro afirma ao final de sua vida: “Pois vocês eram como ovelhas desgarradas, mas agora se converteram ao Pastor e Bispo de suas almas” (1 Pedro 2.25). Sabemos que Jesus assumiu a condição de servo, tornou-se semelhante a homens como nós e seguiu o desejo do Pai até à morte de Cruz.
Jesus não se entusiasmou com as multidões que o aclamavam durante a entrada. Ele nos fez e sabe muito bem o que somos e como lidamos com as nossas emoções. Ele estava totalmente certo de que o entusiasmo das massas pode durar poucos instantes, pois comumente são levadas de um lado a outro e não costumam manter firmes as suas opiniões e sentimentos. De aplausos efusivos numa semana a gritos pedindo a morte de Cristo na semana seguinte. Ninguém parecia querer negar Jesus numa semana, mas na semana, ninguém parecia querer livrá-lo da cruz. Não, Ele não se negaria a ir até o final, pois para isso Ele veio, a fim de nos resgatar da morte eterna, o que somente poderia ocorrer pela morte sacrificial do Cordeiro santo de Deus. Como aquele povo, podemos e devemos estender nossas palmas e as nossas honras para que Cristo passe, mas, ao contrário deles, precisamos estar atentos para que a traição a Cristo não se siga aos aplausos e honrarias. Ele conhece nosso coração e Ele sabe aonde nossos pensamentos nos conduzem.
A Semana Santa nos permite pensar um pouco mais a respeito do que somos e como agimos com respeito a Cristo Jesus. Este é o tempo do calendário cristão mais apropriado para pensarmos a respeito de nós e de nossa carreira cristã. Precisamos nos identificar com Cristo em seu ministério encarnado, com Ele em sua morte vicária, e com Ele na consumação de seus atos santos. Nesta semana convido a que pensemos se imitamos Cristo em não querer o aplauso de ninguém como finalidade de nossa vida, nem mesmo pompas e circunstâncias que venham a bajular nosso coração. Diferentemente de quem aceita teologias deformadas, como a Teologia da Prosperidade, imitemos Cristo, e não os falsos mestres: um jumentinho serviu para o Rei dos reis, por qual razão não serviria para nós, que devemos ser seus servos? Os aplausos não empolgaram o Senhor, por que deveriam nos empolgar? E, depois de tudo, ao vermos a condição em que se encontra o mundo ao nosso redor, choremos pelas almas que nele estão, como chorou Jesus ao ver Jerusalém: “Quando se aproximou e viu a cidade, Jesus chorou sobre ela e disse: "Se você compreendesse neste dia, sim, você também, o que traz a paz! Mas agora isso está oculto aos seus olhos. Virão dias em que os seus inimigos construirão trincheiras contra você, e a rodearão e a cercarão de todos os lados. Também a lançarão por terra, você e os seus filhos. Não deixarão pedra sobre pedra, porque você não reconheceu o tempo em que Deus a visitaria”.
Uma Semana Santa de paz e reflexão.
Depois de dizer isso, Jesus foi adiante, subindo para Jerusalém. Ao aproximar-se de Betfagé e de Betânia, no monte chamado das Oliveiras, enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: "Vão ao povoado que está adiante e, ao entrarem, encontrarão um jumentinho amarrado, no qual ninguém jamais montou. Desamarrem-no e tragam-no aqui. Se alguém lhes perguntar: ‘Por que o estão desamarrando? ’ digam-lhe: ‘O Senhor precisa dele’ ". Os que tinham sido enviados foram e encontraram o animal exatamente como ele lhes tinha dito. Quando estavam desamarrando o jumentinho, os seus donos lhes perguntaram: "Por que vocês estão desamarrando o jumentinho? " Eles responderam: "O Senhor precisa dele". Levaram-no a Jesus, lançaram seus mantos sobre o jumentinho e fizeram que Jesus montasse nele. Enquanto ele prosseguia, o povo estendia os seus mantos pelo caminho. Quando ele já estava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar a Deus alegremente, em alta voz, por todos os milagres que tinham visto. Exclamavam: "Bendito é o rei que vem em nome do Senhor! " "Paz no céu e glória nas alturas! " Alguns dos fariseus que estavam no meio da multidão disseram a Jesus: "Mestre, repreende os teus discípulos! " "Eu lhes digo", respondeu ele, "se eles se calarem, as pedras clamarão". Quando se aproximou e viu a cidade, Jesus chorou sobre ela e disse: "Se você compreendesse neste dia, sim, você também, o que traz a paz! Mas agora isso está oculto aos seus olhos. Virão dias em que os seus inimigos construirão trincheiras contra você, e a rodearão e a cercarão de todos os lados. Também a lançarão por terra, você e os seus filhos. Não deixarão pedra sobre pedra, porque você não reconheceu o tempo em que Deus a visitaria". (Lucas 19:28-44)

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