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REFORMA EM MOVIMENTO

  • 5 de abr. de 2017
  • 5 min de leitura

“Mas vós, amados, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, conservai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna. ”

(Judas1.20-21)

Neste ano de 2017 comemoramos os 500 anos da Reforma Protestante, um evento singular e crucial para a história da Igreja Cristã. O âmago da Reforma não foi trazer inovações teológicas, antes, e sobretudo, foi um retorno às velhas verdades que foram esquecidas.

A Igreja Cristã havia se desviado obtusamente do Evangelho, tendo inserido na sua teologia mais de vinte principais doutrinas heterodoxas entre o século XIV e XVI, além de no exato período em que se deu início a Reforma estar sufocando o povo cristão com forte apelo financeiro anexado à uma suposta piedade que prometia recompensas e ganhos, inclusive vantagens de cunho “eterno”, como as indulgências.

Deus, em sua soberania, usou Martinho Lutero, monge agostiniano e professor de teologia, para iniciar a Reforma Protestante. Apesar disso, muitos outros sucederam Lutero nessa obra de reforma em outros países da Europa. Um dos principais eixos do pensamento reformado era dividido em cinco sentenças, conhecidas como os cinco solas (expressão do latim que significa “somente”): somente a graça, somente a fé, somente Cristo, somente as Escrituras, somente glória a Deus. Outro lema foi proposto mais tarde: “Igreja Reformada, sempre se reformando” (do original em latim: “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda est”).

O texto supracitado é um encorajamento aos cristãos da época a se manterem firmes no Senhor. Todavia, é interessante observar que a primeira palavra do verso 21, “conservai-vos”, é um verbo grego que poderia ser melhor entendido pela tradução “edificai-vos”, a mesma palavra usada no verso 20 da tradução para o português – apesar de serem diferentes no grego –, no entanto, a segunda palavra tem uma conotação de construir, erigir, levantar, sendo usada inclusive para se referir às fortalezas construídas em ocasiões de guerra.

Isso nos faz concluir que Judas queria dizer para os crentes se manterem de pé como fortalezas, fundamentados em Deus e na sua verdade. Obviamente, qualquer tipo de construção precisa de manutenção, ainda mais quando ela é exposta às erosões naturais e artificiais. Seguindo essa ideia e a aplicando no contexto do autor bíblico, todos os cristãos devem cuidar de suas vidas como edifícios vivos que são, sujeitos aos desgastes externos e problemas internos de estrutura, ataques dos inimigos em guerras que batalham, o ruir das estruturas ocasionado pelo tempo. Como podemos nos manter de pé? Sempre nos reformando! Portanto, à luz do texto bíblico e do lema da Reforma, vamos analisar três propostas de reformas necessárias à todo cristão, eleito e amado do Altíssimo.

Reformando nossas vidas pessoais

O próprio texto já nos orienta a nos mantermos sempre em reforma nas nossas vidas pessoais com a ajuda do Espírito Santo, e por intermédio dos meios da graça: a fé e a oração. Contudo, mesmo nosso esforço de exercer fé e orar, deve ser em submissão à misericórdia de Deus, por isso devemos esperar por ela.

Vivemos em dias pós-modernos (alguns sugeririam hipermodernos), fazemos parte de uma cultura egocêntrica, imediatista, individualista e com um alto senso de independência. Sem dúvidas, essas nossas qualidades são inimigas de qualquer movimento que seja reflexivo e reformador.

Somos (digo, homens do século XXI) compelidos pela cultura a evitar qualquer tipo de mudança em nossas cosmovisões, repensar conceitos, mudar atitudes, reavaliar métodos, etc. Isso porque a excessiva independência e liberdade de pensamento logra êxito em fazer o homem achar que sempre está certo, sempre é o melhor, tem a visão correta, todos precisam mudar menos ele, e por aí vai.

Na contramão disso, devemos buscar ultrapassar essas barreiras contemporâneas e nos submeter àquilo que não se deprecia na medida em que a cultura “evolui”, a Palavra de Deus. Devemos nos submeter à ela, buscar ao Senhor em oração e fé, e aguardar esperançosamente a misericórdia de Deus que certamente nos sustenta e preserva.

Reformando nossas igrejas

Necessitamos reformar urgentemente nossas igrejas, nossos cultos e púlpitos. Em época de pregadores da televisão e rádio vendendo prosperidade, seitas travestidas de igreja evangélica, púlpitos doentes e fracos, cultos antropocêntricos e toda sorte de heresias “gospel”, o cristão fiel deve, assim como Lutero, resgatar a sã doutrina.

O texto de Apocalipse 3.3a: “Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te” é um alerta seríssimo para uma igreja que havia perdido o foco. Devemos dar ouvidos à esse alerta ainda hoje.

“Lembra-te” significa que devemos nos remeter ao passado, às origens, às velhas verdades. Assim como a Reforma foi um retorno à ortodoxia, devemos hoje fazer esse movimento de marcha ré. “...do que tens recebido e ouvido” nos remete à tradição que nos foi confiada pelos nossos irmãos mais velhos na fé, todos os reformadores, pais da igreja, cristãos primitivos e apóstolos. “Guarda-o”, e aqui sim, significa conservar. Devemos ser conservadores quanto à teologia, doutrina, conduta cristã e culto cristão. Por fim, “arrepende-te” significa reconhecimento dos nosso pecados e submissão à Deus.

Reformar nossas igrejas significa prezar pela centralidade de Cristo, preeminência da pregação da Palavra, simplicidade no culto, louvores centrados na glória de Deus e de fácil assimilação musical para a congregação, exercício da disciplina bíblica e discipulado.

Reformando nossos relacionamentos

Ainda por culpa de nossa cultura, devemos cuidar muito bem de nossos relacionamentos horizontais. Jesus disse que é muito fácil amar quem nos ama, mas é muito difícil amar quem nos aborrece. No texto de Mateus 5.7, Ele declara: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”. Vivemos em uma época de pouca ou quase nenhuma misericórdia, o apelo do Sermão do Monte ecoa forte e necessário ainda hoje, devemos exercitar a misericórdia!

Ganhar um briga, sair por cima, ter razão, ser reconhecido, são características peculiares da nossa natureza caída, como cristãos, devemos lutar contra isso e agir em nossas relações do mesmo método que Cristo se relaciona conosco, nos perdoando. A parábola do credor incompassivo tem muito a nos ensinar sobre isso. Quando passarmos a olhar o tamanho da dívida que tínhamos com Deus em relação a dívida do próximo para conosco, entenderemos mais claramente como nos relacionar segundo os parâmetros cristãos, exerceremos misericórdia mais facilmente, pois, ao invés de usarmos nossas medidas de justiça, estaremos usando as de Deus na sua misericórdia.

Conclusão

A Reforma não foi algo para ficar apenas na história, mas para moldá-la dali por diante. Ser reformado não é simplesmente aprender a teologia reformada, é estar sempre em movimento, sempre se reformando, conforme o antigo lema.

Infelizmente um risco que corremos quando descobrimos a teologia reformada é o de buscarmos muita informação cognitiva e erudição em detrimento da ortopraxia (conduta prática correta, de acordo com a ortodoxia), algo extremamente vital para o cristão. Uma vez que nossa conduta ética não corrobora com nossos conceitos teológicos, devemos relembrar do alerta feito à igreja de Sardes. Contudo, que mantenhamos vivo o espírito da Reforma em nossos corações, bem como, e acima de tudo, toda piedade e devoção à santidade de Deus e sua Palavra.

 
 
 

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