UM PAPEL PARA A MULHER
- 8 de mar. de 2017
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Nossos dias são intensamente vividos à base de opiniões. Infelizmente as pessoas mais parecem gado levado para os currais do que gente: as opiniões que as norteiam normalmente são de outras pessoas e grupos que, por sua vez, fazem pouca ou nenhuma ideia do que falam e fazem. É por essa razão que Deus estabeleceu lideranças ao longo da história bíblica e, não apenas as narrativas, mas os princípios ficaram estabelecidos para que tenhamos vida melhor e mais fincada em paradigmas deixados para nós pelo próprio Deus. Quando o povo de Israel estava sendo escravizado pelos egípcios, a noção que temos ao ler as páginas da Escritura Sagrada é a de abandono de liderança interna. Os hebreus eram subjugados pelos egípcios (de fora), mas não eram liderados por ninguém (de dentro). Em outras palavras, no meio do povo de Israel não havia um líder, um ancião, o que tornava o povo extremadamente vulnerável às intempéries da vida, sem que o direcionamento pudesse orientar e dar vigor nos dias mais difíceis. Tempos depois o povo teve outros momentos assim, sem liderança, o que resultou sempre em desgraça, pelo que lemos por duas vezes em Juízes que “Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto.” (17.1 e 21.25). Sabemos que se cada um fizer o que acha correto, inevitavelmente teremos ao final conflitos e mortes.
Voltando ao Egito, Deus chamou Moisés e o constituiu líder com o propósito de reunir, organizar, animar e retirar o povo daquela situação de sofrimento e dor. Em paralelo a isso, Moisés deveria guiar o povo pela rota estabelecida pelo próprio Deus, promulgar a lei divina pela qual o povo seria regido e estabelecer a entrada na terra prometida, bem como providenciar seu sucessor. Moisés fez isso tudo conforme Deus lhe ordenara e, sabemos bem, só não conseguir pisar na terra prometida, mas chegou a vê-la ao longe. Moisés teve um papel de destaque. Josué teve um papel muito evidente. Os anciãos e os líderes dos clãs e tribos tiveram um papel dos mais importantes. Mas e as mulheres? O que elas fizeram que mereça destaque nessa história? Vejamos as instruções de Deus a Moisés, que ele repassou ao povo, quando lhe ordenou que preparasse o povo e levasse consigo anciãos que avisassem a Faraó a respeito da vontade de Deus. A própria Escritura diz na voz de Deus que haveria percalços: “Eu sei, porém, que o rei do Egito não vos deixará ir se não for obrigado por mão forte. Portanto, estenderei a mão e ferirei o Egito com todos os meus prodígios que farei no meio dele; depois, vos deixará ir.” (Êxodo 3.19-20).
Homens estavam preparados para correr à frente e lutar por suas famílias, jovens prontos para obedecer ao chamado, a Páscoa seria preparada, o sangue seria passado nos umbrais das portas, Moisés e todos os líderes estavam a postos para a correria da saída. E as mulheres? O que estariam prontas a fazer? Elas tinham um papel que ninguém mais poderia desempenhar a contento. Disse mais Deus na sequência do texto: “Eu darei mercê a este povo aos olhos dos egípcios; e, quando sairdes, não será de mãos vazias. Cada mulher pedirá à sua vizinha e à sua hóspeda joias de prata, e joias de ouro, e vestimentas; as quais poreis sobre vossos filhos e sobre vossas filhas; e despojareis os egípcios.” (Êxodo 3.21-22). O cenário acima é o que deveríamos manter em nossas mentes e gestos: homens, mulheres, jovens, líderes: cada um tem um papel a desempenhar e somente quando todos o cumprem é que a coletividade avança e atinge o seu papel como um todo. Se os homens tivessem se aventurado a pedir joias de prata, ouro e vestimentas certamente teriam tido dificuldades enormes. Se os jovens tivesses querido liderar, teriam errado redondamente. Se os líderes tivessem resolvido procrastinar ou assumir outro papel, tudo teria se perdido. Se as mulheres tivessem desejado tomar para si o papel de homens, jovens ou líderes, tudo teria afundado também.

“Todas as israelitas pedirão às suas vizinhas, e às mulheres que estiverem hospedando em casa, objetos de prata e de ouro, e roupas, que vocês porão em seus filhos e em suas filhas.
Assim vocês despojarão os egípcios.”
Êxodo 3.22 (NVI).
O mundo que nos cerca tenta retirar de nós os nossos papeis e minimizar a importância do que temos a fazer, colocando sobre o papel do outro a maior relevância, numa espécie de inveja de papéis. Tratam como ato igualitário a retirada das limitações e diferenças. Mas a verdade é que mulher não é igual ao homem. Nem o homem não é igual à mulher. Homem e mulher se completam e complementam exatamente porque são diferentes. “Homem e mulher os criou”, diz-nos o final de Gênesis 1.27. Por isso, o homem precisa ser gentil sem perder sua varonilidade, enquanto a mulher deve ser firme, sem jamais deixar de ser feminina. Somos diferentes porque Deus nos fez diferentes, com papeis tão importantes que se não forem cumpridos haverá um hiato na civilização e uma lacuna intransponível na família e na sociedade. A igreja sofre quando mulheres querem fazer o papel de homens e homens se prestam ao papel feminino. Mas vale um alerta: ser diferente não é ser pior, nem melhor: é apenas não ser igual. Simples assim. Ter tratamento igualitário (o que é certo) não transforma as diferenças em igualdade (o que pode ser errado). Quando os papeis se complementam, o todo acontece. Os egípcios foram esvaziados de suas joias e riquezas porque as mulheres hebreias pediram e receberam tudo que precisavam para que suas famílias fossem materialmente recompensadas por anos a fio de trabalho escravo e doloroso. Não fosse as mulheres, os hebreus não teriam tido sustento material pelo caminho da saída em direção à liberdade.
A mulher contemporânea tem a impressão de que precisa ser igual para ser melhor. Aí se torna pior e isso se faz ainda mais severo quando acontece na igreja de Cristo. Quer fazer tudo que somente compete aos homens fazerem, muitas vezes com isso estragando seu vigor físico, tornando-se masculinizada, deixando de ser esposa e mãe, descumprindo seu papel da Criação, abafando seu chamado na igreja. Não é preciso dizer que isso abre precedentes para homens quererem inverter seus papeis também, o que é igualmente terrível. A mulher precisa ser cuidada e preservada, precisa ser alvo de zelo e ser tratada com respeito e carinho, precisa ser feminina, mas precisa dispensar totalmente os atributos do feminismo – particularmente tendo muito cuidado com a segunda onda e a recusa da terceira onda do feminismo –, que na verdade é uma falácia de nosso tempo em que a mulher é vilipendiada e embrutecida e ainda acha que é feliz por isso. Não podemos concordar com mulheres como Simone de Beauvoir, que diz abertamente que “não se nasce mulher, torna-se”: como uma mulher cristã concordaria com isso à luz de Gênesis 1.27? Essa mulher vitimizada e escravizada pelo feminismo é uma mulher que se torna amarga e sem o brilho da mulher, que rejeita ser mãe porque “o macho opressor” a desvaloriza, que rejeita ter filhos porque “o corpo lhe pertence” e ela pode matar quantos nascituros quiser matar, que rejeita ser esposa porque “o patriarcado” oprime a mulher. Essa mulher é a mesma que tem na ponta da língua o discurso da supremacia feminina na religião, querendo a qualquer custo se tornar ministra nas igrejas cristãs ao passo que insiste na novidade de que Deus deve ser tratado como “mãe” para revogar das páginas da Escritura a influência “machista patriarcal” do passado.
No Dia Internacional da Mulher o que talvez mais tenhamos visto por aí foram as notas de mulheres que lutam para não serem mais mulheres, quem sabe vendo outras tantas mulheres nas igrejas negando a Escritura para apoiar essas opiniões. Minha palavra a todas as mulheres de Deus é simples e direta: reconheçam a nobreza com que foram criadas por Deus e sejam mulheres segundo Deus, para a glória do próprio Deus!

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