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JESUS FOI CRUCIFICADO ENTRE DOIS LADRÕES

  • 23 de jan. de 2017
  • 5 min de leitura

Existe uma cena maravilhosa do seriado Chaves (com S, o bom) que eu já citei em mais de uma pregação. Eu a considero belíssima para o personagem, e para o jeito de pensar do criador Roberto G. Bolaños, o Chespirito, como era conhecido. Por isso, aqui pretendo oferecer algumas considerações sobre o episódio de Chaves “O Ladrão da Vila”, na esperança de que possam ser úteis ao leitor e quem sabe ajudar numa associação entre a cultura e o evangelho.

A cena, tristemente, não faz parte da versão dublada em Português do episódio, pertence à outra gravação, porém vale a pena relembrá-la e discutir. Vou tentar resumir a seguir:A cena se passa numa outra versão do episódio que tem a participação do Sr. Furtado, um ladrão compulsivo que estava de mudança do cortiço onde os personagens vivem. Em meio a muitos pequenos roubos, um dos objetos dos quais se apoderou é escondido no barril que Chaves, muitas vezes, usa para chorar e que erroneamente é dado como sua casa. Ao verem os objetos roubados ali, os moradores da vila aclamam (nas palavras de Chespirito) Chaves como ladrão. O menino deixa a vila durante a madrugada, numa cena que já fez muito marmanjo chorar. No dia seguinte, as crianças estão tristes pela ausência do menino do 8, e Quico chega a chorar. D. Florinda entende mal isso e já bate em Seu Madruga (piada recorrente), para só depois descobrir que ele não era o culpado. Ela então diz: “Mas você não percebe que isso é bom meu filho? Por que você ficaria perto dele? Onde já se viu uma pessoa descente em companhia de um ladrão?” Chaves retorna a vila nesse momento e emenda: “Jesus foi crucificado em companhia de dois ladrões”.

Na cena que geralmente é veiculada no Brasil, Chiquinha é que se defende por estar junto do criador da chorofompila. O que a cena diz? A primeira coisa que a cena diz é quem é D. Florinda. Ela, provavelmente tem uma educação cristã, como se esperaria de uma viúva da alta sociedade, ainda que empobrecida, da época. Ela não tem resposta para o que acaba de ouvir. É mais forte do que ela, não há como responder ao ponto de maneira satisfatória sem negar o livro que ela julga ser verdadeiro mediante a sua educação.

Então por que ela disse? Tenho aqui uma sugestão, embora elemento nenhum garanta isso. Chuto que D. Florinda não toca na Bíblia há muito tempo, e, portanto não poderia notar a problemática do que diz, contudo está lá. E ela não nega, porque quando lembrada, ela sabe que é verdade. Você consegue identificar uma verdade Bíblica quando ela é apresentada a você? E ela pode ser transformadora na sua vida?

O que norteia D. Florinda é seu “cristianismo” arrogante de quem pensa que só serão salvos os que forem santos como ela o é. Cuidado com esse pensamento! Ele sempre nasce quando colocamos a régua da salvação em nós mesmos. Como isso acontece? Quando pensamos que a salvação é aquilo que eu determino que seja. O que eu acho certo? O que eu acho aceitável? Certamente roubar é inaceitável, pois isso eu não faço. No entanto agredir pessoas tudo bem, denegrir os mais desfavorecidos intelecto ou financeiramente também não é problema. Assim eu estabeleço a minha própria régua da salvação entre as coisas que se pode fazer e prosseguir sendo salvo e as que são próprias da gentalha que não será salva.

Onde isso termina? Na melhor das hipóteses na oportunidade de arrependimento que D. Florinda tem quando Chaves lhe faz ver de novo qual o valor que ela deveria seguir. Como assim? Ela foi lembrada do parâmetro ideal para conhecer as regras da salvação, a Palavra de Deus. Não é você quem define o que é pecado e o que não é, pois o Senhor o faz, e o faz em sua Palavra. Se D. Florinda conhecesse o evangelho que a contradisse, veria que Jesus amou profundamente mesmo a mais vil gentalha, e amou-os até o fim.

Do ponto de vista do Chaves quero pensar nos eventos seguintes. O personagem foi vencido pelo mau julgamento de todos, achando até que era ladrão apesar de não ser, “eu não seria ladrão de nascença massim por maioria de votos”. Só que quando já seguia viagem para o exílio autoimposto por seus pecados, o Chaves foi apresentado ao caso do Senhor Jesus através do padre da igreja que acabou por visitar. A cena não é uma pregação brilhante do evangelho, mas tem uma conclusão que fica na memória quando Chaves comenta o pedido que fez a Deus para que “o ladrão se arrependesse e se torne bonzinho”.

A cena não deixa de ser uma versão singelamente inspirada na oração de nosso Senhor que pediu pela vida daqueles que O matavam. Se não de maneira geral, mas pelo menos em parte o Chaves entendeu algo do evangelho. Ele entendeu o amor que se espera que se tenha por aqueles que nos fazem mal como, por exemplo, a causa de sermos acusados. E se colocarmos essa cena no contexto da versão em que o Chaves cita Jesus, somos forçados a ver que Cristo é mais do que um exemplo para essas coisas, mas uma razão. Cristo foi crucificado. O justo pelos injustos, para que os inimigos de Deus fossem feitos filhos de Deus. Ora um ladrão na cruz foi salvo, para surpreender mais ainda a D. Florinda se ela tiver lido a Bíblia após o rápido sermão do caçador de Churruminos.

A fala do Chaves não só é dita como uma pregação a seus colegas, mas é ouvida pelo verdadeiro ladrão, o Sr. Furtado. Ele ouve o que o menino orou e aquela versão da oração do Filho de Deus mexe com seu semblante. Nota-se em pelo menos Ricardo de Pascual, o mais famoso interprete do personagem, uma mudança de postura digna de um bom ator. O exemplo de Cristo fisgou mais um. Novamente, não é possível dizer que a cena por si só seja o evangelho, pois carece de uma boa explicação, mas é fácil dizer que se veem algumas características em tudo o que acontece.

Finalmente, o arrependimento gera ação do ladrão, pois ele devolve o que roubou a cada pessoa. Não apenas isso, mas vemos que os justos recebem recompensa e muitas vezes em vida, já que o Chaves recebe o seu apetitoso sanduíche de presunto. Não lhe digo apenas não seja como D. Florinda, ou seja, como Chaves, ou mesmo se arrependa, eu lhe digo: Que Cristo te transforme segundo o maravilhoso caráter d’Ele.

 
 
 

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