PELO QUE VIVER 2017
- 4 de jan. de 2017
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Início de ano e facilmente estamos ou pensando no que fizemos no ano anterior ou avaliando o que faremos e como vamos fazer. Mas eu queria discutir um pouco dois pontos para 2017, quais as nossas motivações e principalmente qual a maior das nossas motivações no viver 2017.

Historicamente, 2017 é um ano que já começa marcado pelos quinhentos anos dos eventos que deram início a reforma protestante. Talvez os reformadores sejam um bom exemplo para se usar nesse texto, contudo eu queria citar outros aspectos antes de descrever esses 500 anos. O que um período tão longo de tempo representa para um fato histórico? Tenho quase convicção de que você já assistiu algum filme da trilogia De volta para o Futuro de Robert Zemeckis (Se não os três, pelo menos um deles foi assistido enquanto esperava uma consulta no dentista na sessão da tarde). O filme demonstra como poucos o quanto um acontecimento afeta o futuro e como a realidade é moldada em torno disso, podendo ser completamente outra, caso você tenha um capacitor de Fluxo e um veículo que possa chegar a 144 km/h.
Assim a primeira reflexão que queria puxar é a da própria marca no tempo. Talvez os seus atos não sejam lembrados daqui a quinhentos anos, porém eles também ecoarão em alguma medida nos eventos futuros. A dedicação ou falta dela que se pode ter no criar dos filhos falará profundamente com um futuro mais imediato, e também com a vida que os seus descendentes terão. Ou a dedicação no serviço, e a busca da honestidade naquilo que se pretende construir. Mesmo no futuro mais imediato quando se pensa em quais são os próximos passos na vida sentimental, profissional e na igreja. Tudo é parte de uma série de marcas que deixamos por onde passamos, claro que algumas marcas são mais profundas e algumas decisivas. No entanto todas vão fazer parte da paisagem do tempo que virá depois daquele último instante.
E isso nos leva a pensar em motivações. Reflita nas marcas que quer deixar antes de pensar nos porquês, já que é nas marcas que pretendemos deixar que veremos as nossas motivações reais, porém as vezes esquecemos isso, e deixamos aquilo que consideramos mais valioso de lado, como que não percebendo que isso sempre afeta o que virá. Meu conselho inicialmente para 2017 é: avalie aonde quer chegar para saber o que o motiva. E quando conhecer suas motivações aproxime-se delas, não permita que preguiça, ou qualquer outro ato o impeça, mas vá em frente com elas até o fim.
Quando penso na reforma protestante, eu sempre me lembro da canção Castelo Forte, de Lutero. Num de seus versos nos é dito: “Se temos de perder, família, bens, mulher” (poder em algumas versões). Esse verso é gracioso porque Lutero propõe a perda de algumas razões pelas quais se vive não como uma circunstância que se passa inerte, mas uma escolha de abrir mão de algo por Aquilo que seria mais valioso.
O ponto é: depois que você percebeu as suas motivações, em que lugar o Evangelho ficou? Tomás Antônio Gonzaga escreveu uma única obra de poesia, esta é um símbolo do Arcadismo Brasileiro, chama-se Marília de Dirceu. O trecho que me conquistou na primeira vez que tive contato com essa obra foi: “Mas tendo tantos dotes da ventura,/ Só apreço lhes dou, gentil pastora,/ Depois que o teu afeto me segura/ Que queres do que tenho ser senhora./ É bom, minha Marília, é bom ser dono/ De um rebanho que cubra monte e prado;/ Porém, gentil pastora, o teu agrado/ Vale mais que um rebanho e mais que um trono./ Graças, Marília bela,/ Graças à minha estrela”(Lira I, versos 21 a 30 Parte 1). Há uma hipótese de que Tomás escreveu todos os versos dessa obra a uma moça mais jovem pela qual se apaixonou. Eles já estariam noivos quando Tomás foi obrigado a sair do Brasil pela coroa portuguesa rumo ao degredo na África. O motivo foi a participação dele na Inconfidência Mineira. Eles nunca mais se viram.
Por que essa história? Assim como Lutero, o autor pareceu pôr a perder algo que lhe valia muito em prol de outra causa. Qual a motivação maior de todas em sua vida? Eventualmente as causas entram em conflito, ou por questões éticas profundas, ou simplesmente porque não notamos que em certo ponto já havia um conflito. Ora caso se namore uma pessoa não cristã, sendo cristão, é lógico que em algum momento as questões de fé entrem em conflito. Enfim quando o conflito ocorrer qual será a nossa escolha? Tomás arriscou o seu noivado por um ideal que ele mantinha, entretanto diferente do idealizado Tiradentes não morreu pela causa que defendia, negando-a de maneira a evitar a morte e receber o degredo.
Nesse causo, vemos três motivações dele e percebemos a ordem dos valores. A “Marília” dele não era a primeira, nem a segunda, mas a terceira. E a conspiração da qual participava que superava seu amor poético era menor que a vontade de viver. No discurso, mesmo a riqueza e o poder eram menores do que a amada do poeta, será que isso era uma realidade? Os atos e as marcas dele no mundo não disseram tanto isso, embora tenha nos dado bons versos. Qual é a ordem das suas motivações?
Lutero, também em verso, deu a entender que a dele era o Cristo. E algumas vezes arriscou sua vida por amor a Verdade. A ordem das motivações e principalmente de até aonde vamos por elas dizem muito das marcas que deixaremos nesse ano nesse lugar em que Deus te colocou. Quais as marcas que você quer deixar? E no conflito entre as suas motivações qual sai ganhando? Segundo o reformador a dele era o Cristo, para Gonzaga aparentemente era a própria vida. Talvez deva-se pensar: “Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma”(Marcos 8.36). Enfim tanto uma quanto a outra decisão ainda ecoam no mundo, em escalas diferentes é verdade. Todavia o que fazemos com nossas vidas aponta para algum lugar. Eu oro a Deus para o que você faça aponte para Cristo em primeiro lugar.
Para encerrar, lembro que uma das inspirações que se fala que o hino de Lutero teria é o salmo 46. Deus é um refúgio e fortaleza para os seus. Ele continuará sendo em 2017.

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