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REFLEXÕES SOBRE AMOR, OBEDIÊNCIA E SACRIFÍCIO

  • 10 de dez. de 2016
  • 5 min de leitura

Certa vez ouvi de uma valorosa irmã o seguinte: "Não renunciarei ao pecado por medo. Renunciarei ao pecado por amor." Para ela, mais do que mero prenúncio de castigo, o pecado era sintoma de falta de zelo e amor por Deus. Esse singelo raciocínio guarda o mesmo princípio presente em João 14:21: "Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama".

É curioso que, embora já tivesse passado pelo livro de João algumas dezenas de vezes, essa mensagem nunca tenha produzido tanto efeito em mim, até aquele momento. Mas, então, um clique divino no meu coração, e ali estava: a minha obediência é o reflexo do meu amor por Deus; é o resultado da transformação que o Espírito Santo vem efetuando em mim (Romanos 12:2-3).

Engavetei as palavras daquela irmã por algumas semanas, até me deparar com o relato da prova de Abraão em Gênesis 22. Só que, dessa vez, ao contrário do que ocorrera em leituras anteriores, meu enfoque não se restringiu tanto à imagem do homem de fé que confiara na provisão divina, mas se estendeu para cobrir a silhueta do servo que, instado por Deus a entregar seu filho Isaque em sacrifício, obedeceu.

Para compreendermos a real dimensão da atitude de Abraão, talvez devamos considerar um pouco de sua trajetória, que, além de inúmeros dramas familiares, incluiu uma gloriosa promessa: a de que sua esposa, já idosa, geraria um filho, Isaque, com quem Deus estabeleceria uma aliança, e por meio de quem o faria pai de muitas nações (Gênesis 17). Assim, além de muito querido pelos seus pais, como seria qualquer descendência, Isaque era especialmente amado por representar a concretização dessa aguardada promessa. Apesar disso, quando recebeu a ordem de sacrificar Isaque, Abraão não questionou Deus, nem pensou duas vezes antes de lhe obedecer (Gênesis 22:3).

Você pode estar imaginando que o homem que partiu no dia seguinte para satisfazer o desejo do seu Senhor talvez o tivesse feito por medo, mas isso não é de forma alguma o que é descrito nas Escrituras. Pelo contrário, a dinâmica bastante objetiva do texto bíblico nos sugere que Abraão estava decidido e muito confiante (Gênesis 22:8). Sim, Abraão amava Isaque (Gênesis 22:2), mas o amor que sentia por Deus e o consequente anseio por Lhe agradar eram incontinentes e falavam muito mais alto.

E é exatamente assim que deve ser. Não é por outro motivo que, quando questionado sobre qual seria o maior dos mandamentos, Jesus respondeu: "'Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.' Este é o primeiro e maior mandamento" (Mateus 22:37). Ora, Jesus não quis com isso abolir a Lei, mas esclarecer que aquele que ama a Deus necessariamente tenta observá-la ao máximo. O amor a Deus é a pedra angular, o mandamento estruturante que se irradia para todos os demais.

Não estamos, pois, diante de uma narrativa de medo, mas de amor profundo. Além do princípio de fé que deve pautar nossa vida cristã, esse clímax veterotestamentário quer nos mostrar o protótipo do homem que ama a Deus sobre todas as coisas, a ponto de Lhe obedecer sem reservas, de aceitar a Sua vontade, qualquer que seja ela.

Constrangidos com essa descrição de entrega absoluta, outra não pode ser a nossa conclusão, senão a de que a obediência deve estar tão internalizada em nós quanto esteve em Abraão, porque ela é a maior das provas do nosso amor por Deus.

Lembro-me de que, a essa altura da reflexão, uma pergunta ressoava alarmante dentro de mim: "E então, eu, será que você está disposta a fazer um sacrifício do tamanho daquele que foi proposto a Abraão?"

Mas não levou muito tempo até que o circular desse pensamento fosse interrompido de rompante. Veio-me à mente um capítulo que havia lido dias antes, sobre o momento em que o profeta Samuel confrontou Saul por este não ter feito como o Senhor lhe ordenara, poupando o rei dos amalequitas e seus pertences (1 Samuel 15).

Naquela ocasião, Saul tentou justificar a desobediência, dizendo que entregaria tudo em sacrifício a Deus; ao que Samuel, prontamente, respondeu: "'Acaso tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e em sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? A obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros. Pois a rebeldia é como o pecado da feitiçaria, e a arrogância como o mal da idolatria. Assim como você rejeitou a palavra do Senhor, ele o rejeitou como rei'" (1 Samuel 15:22-23).

O cotejo entre as histórias de Saul e Abraão nos revela que não se trata exatamente do sacrifício que estamos dispostos a fazer, mas do quão obedientes estamos dispostos a ser.

Com efeito, esses dois episódios são muito similares, na medida em que, em ambos os casos, Deus deu uma ordem e houve uma oferta de sacrifício. Não obstante, uma importante diferença entre esses dois homens reside no fato de que Abraão escolheu a obediência e Saul, o sacrifício. Sabemos que Abraão agiu melhor, porque o Senhor disse, por meio do profeta, que Ele preferia a obediência ao sacrifício.

Mas, se você for parecido comigo, ainda vai estar se perguntando: "Por que, afinal de contas, Deus prefere a obediência ao sacrifício?"

A resposta para esse questionamento começa no Antigo e termina no Novo Testamento. Note que em Gênesis 22:12-13, o Senhor provê um carneiro, para ser sacrificado no lugar de Isaque. Logo, foi o Senhor que sacrificou, não Abraão - de Abraão só foi exigida a obediência.

Vejamos, agora, o que dizem as Escrituras em Mateus 26:27-28: "Em seguida [Jesus] tomou o cálice, deu graças e o ofereceu aos discípulos, dizendo: 'Bebam dele todos vocês. Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados.'"

Perceba que hoje Deus exige de nós a obediência, porque Ele mesmo, mais uma vez, encarregou-se de prover o sacrifício: só que, desta vez, o sacrifício de Seu próprio Filho, amado e perfeito (Mateus 3:17). Deus não exigiu o filho de Abraão e não exigirá nenhum outro sacrifício de nós, porque entregou o próprio Filho para ser sacrificado em nosso lugar. Tudo para que o juízo e a ira Dele em relação ao mal que praticamos recaíssem sobre o cordeiro perfeito, e não sobre nós.

Eis a simples conclusão, desconhecida, esquecida ou propositalmente ignorada por tantos: aquilo que o Senhor não exige de nós fez por nós – e o fez quando ainda estávamos mortos em delitos e pecados (Efésios 2:4-5).

Será que conseguimos enxergar quão grande é o amor de Deus por nós? Conseguimos realmente enxergar essa verdade avassaladora, a ponto de amá-Lo de volta, em retribuição, e de obedecê-Lo incondicionalmente? Amemos esse Deus maravilhoso, sejamos-lhe obedientes e, enfim, regozijemo-nos no fato de que o maior dos sacrifícios já foi feito: "Está consumado!" (João 19:30).

Publicado anteriormente no blog Unfolding His Truth.

 
 
 

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