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NÃO CLAUDIQUEM MAIS, CLAUDICANTES

  • 12 de nov. de 2016
  • 5 min de leitura

Claudicar. Algo que não queremos, mas seguramente fazemos ao longo da vida. Isso está intrinsecamente ligado à razão de ser de nossa raça, sendo uma daquelas coisas que não gostaríamos de fazer jamais. Ao que tudo indica, claudicar (coxear, mancar, puxar da perna; figurativamente fraquejar ou errar) vem do latim “Claudius” (nome próprio de família e indivíduo, inclusive de imperadores), que por sua vez veio de “claudus”, que significa “quebrado, cortado, arrancado” daí, por assimilação, a condição de um manco ou amputado de membro inferior.

Pensar nisso me fez lembrar de Elias no episódio contra os profetas de Baal, em que ele diz “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu.” (1 Reis 18.21). Numa perspectiva latina (Vulgata) o verbo utilizado é o nosso “claudicar”. Mas há uma tradução mais contemporânea que ficou muito interessante (Bíblia Viva): “Por quanto tempo vocês vão ficar entre duas opiniões, sem se decidirem por uma delas?” Infelizmente isso me remeteu a nossa própria condição de indivíduos falhos, mas, pior ainda, me trouxe à mente a condição de uma parte considerável da igreja cristã de nosso tempo. Personagens: um profeta, um povo, um ídolo e um verdadeiro Deus. Quatro faces, quatro postulados, verdades e não verdades: toda uma trama em tão poucas palavras que encerram tão grande e profunda questão.

Inevitável não fazer uma correlação com a realidade de hoje, milênios depois daquele ocorrido. Sem querer parecer alegórico ou figurativo demais, mas trazendo à tona a similitude das relações, os porta-vozes da verdade divina continuam falando como os velhos profetas o fizeram no passado; um povo que se denomina povo de Deus, ou povo cristão, continua espalhado por toda parte; ídolos das mais variadas formas e substâncias continuam a povoar imaginário e fé em toda a terra, e isso ao longo de toda a história humana desde a queda; da mesma forma, o mesmo Deus verdadeiro e único continua a reinar soberano sobre todas as coisas, exigindo para si culto fiel e verdadeiro. Dos quatro personagens, três precisaram sofrer comparações para os entendermos em nosso contexto. Deus, no entanto, não: não muda nem nesse conjunto de ideias.

A ideia é simples: o povo do Senhor estava totalmente enredado pelas circunstâncias ao seu redor. Comumente, quando não se evitam as influências externas elas acabam por se infiltrar no ambiente interno, modificando-o paulatinamente. Nas línguas isso é muito perceptível, pois a influência de uma língua absorvida em algum grau modifica termos e expressões da outra, receptora, como vemos no português garagem, por exemplo, termo que veio do francês tardiamente, e não da sua evolução primária a partir do latim. Costumes também são absorvidos em tempos de contato entre culturas que, com o passar dos tempos, tem a noção de assimilação perdida, como o uso de estilos de roupas ocidentais em países orientais, por exemplo. Com a igreja coisas assim ocorrem, mas em geral são pernósticas e nocivas. Elementos de outras “culturas” penetram por contato em nossas comunidades e o desfecho é o empobrecimento e posterior deterioração da “cultura” inicial cristã e bíblica. Formas de pensar opostas à consideração bíblica começam a ser consideradas normais, muitas vezes passa-se a defender o que Deus condena, os hábitos são transformados e a comunidade dos santos começa a se parecer demasiadamente com o mundo que a cerca.

Os profetas não desaparecem: eles continuam gritando a plenos pulmões. Eles são os verdadeiros arautos da mensagem de Deus, suas advertências, admoestações e exortações. São eles também que pregam a paz e a alegria de servir a Deus, mas fazem isso sem misturar pretensas experiências de outros cultos e outras doutrinas ao chamado genuíno de Deus. O problema hoje, como antes, é que o povo pode entrar num processo de ensurdecimento gradativo, tornando-se insensível, fazendo-se duro e tendo sua consciência cauterizada (cf. 1 Timóteo 4.2). O mesmo povo que vê a mão forte de Deus tirando-o do Egito é capaz de, pouco tempo depois, fazer um bezerro de ouro (Êxodo 32) e muito depressa se desviar do caminho que Deus lhe ordena (cf. Êxodo 32.8), trocando a segurança eterna de Deus pela percepção sensitiva de um deus fabricado pela ilusão do coração humano.

Naqueles dias, Elias fez um apelo que ecoa até hoje: ou bem sirvam a Deus, ou sintam-se livres para servir a outros deuses quaisquer. O que não é possível é servir a ambos: Deus e o mundo. Não é possível viver como cristãos na comunidade da igreja e como incrédulos fora dela; não é possível simplesmente não ter posicionamentos definidos com base na Escritura, vivendo eternamente sobre um muro de pacificação imaginária, porque não há paz entre o que provém de Deus e o que é gerado no mundo; não é possível viver sob múltiplas bases de pensamentos, como se nossa mente fosse uma pizza fatiada cujos pedaços se separam sem contato posterior, fazendo de cada pedaço uma postura a ser seguida a depender da circunstância. Não se pode servir a dois senhores, como Jesus mesmo disse à frente ao se referir às riquezas como sendo um dos senhores possíveis (cf. Mateus 6.24). Voltando à fala de Elias, é interessante que o fato de seguir é posterior ao fato de considerar como sendo Deus. Ele diz “SE o Senhor é Deus, segui-o”. Ele também diz “SE é Baal, segui-o”. Isso simplifica muita coisa: quando a igreja está seguindo a Deus, é porque ela de fato vê no Senhor da Bíblia o seu único e verdadeiro Deus. Se a igreja claudica entre dois deuses, é porque a comunidade tem dúvida sobre quem é Deus, e pode considerar como deus alguém ou algo que não seja o Deus da Bíblia.

O povo de Deus é depauperado pela falta de conhecimento. Quando Oseias registrou a célebre sentença do Senhor, que diz o “meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos” (Oseias 4.6), vemos claramente exposto no texto que a destruição do povo é por falta de conhecimento da lei de Deus, mas não espontaneamente: tudo começa nos sacerdotes que deveriam ensinar e não o fazem. A rejeição da verdade advinda do conhecimento é intencional, motivada por alguma coisa que é externa à ordenança do próprio Deus para seus filhos. No caso de Elias, ao ser confrontado pela perspectiva de uma decisão diante de Deus, o povo simplesmente silencia. Naquela ocasião, o povo silenciou talvez por não conseguir ter um posicionamento correto e definitivo. Não sabia o que dizer, não tinha resposta, não conhecia o Deus da aliança de Israel. Não é à toa que lá na frente o profeta Isaías também nos fala a respeito de pensamentos, definições e escolhas. Diz ele: “Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar. Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.” (Isaías 55.6-9).

Onde estamos hoje? Continuamos claudicando? Ainda estamos em silêncio ou teríamos algo a responder? Deus nos ajude e à Igreja: que ela tenha voz e resposta diante do mundo! Fica a máxima: não claudiquem mais, claudicantes!

 
 
 

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