CULTURA E FÉ NUM MUNDO NÃO CRISTÃO
- 25 de mai. de 2015
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Gostaria de dizer a você que me lê que entendo ser muito saudável compartilharmos opiniões que sejam diferentes, contanto que nosso viés final seja a fé e a soberania de Deus sobre Sua Igreja. Outra coisa que gostaria de falar a você: todas as vezes que cito os termos “cristão” e “Igreja” sem referência a qualquer grupo ou denominação, refiro-me respectivamente ao filho de Deus, ou seja, todo o que foi lavado no sangue do Cordeiro e que pertence a Cristo, e à Igreja do Senhor Jesus em toda parte, em toda língua, em toda etnia, sem me importar com a tabuleta à porta de seus templos.
Sobre cultura, digo a minha opinião, compartilhando-a agora com você que me lê. Será que cristianismo pode ser chamado “cultura”? Algumas opiniões minhas: a) Entendo que se temos um conjunto de ações e características modeladas em uma coletividade, fruto de cooperação e construção conjunta de formas e valores em prol de uma sociedade ou de um grupo social, temos cultura; b) se temos valores que precisam ser transmitidos aos que nos cercam e aos que virão depois de nós, por tantos meios quanto possamos acessar, temos cultura; c) se esses mesmos valores compõem o de mais valoroso desse grupo social, a tal ponto de constantemente se buscar seu aprimoramento e seu desenvolvimento intelectual, acadêmico, religioso, etc., temos cultura; d) se temos valores que precisam ser aplicados no indivíduo pela razão e propagação de ideias e ideais, com refinamento e modificação adequativa individual e coletiva, temos cultura; e) se temos necessidade de mostrar a outrem, de outro viés cultural, que nossos valores podem até conviver com os deles, mas que queremos preservar os nossos, temos cultura; f) se temos códigos aceitos de maneira ampla, com padrões estabelecendo limites de ações e práticas de conduta ética em coletividade e em particular, o que, espera-se, desenvolva ainda mais nossos parâmetros de equidade e equalidade, temos cultura.
Com base nos aspectos listados acima, de minha cabeça, e em muitos outros, que gente mais profunda poderia listar, podemos dizer que cristianismo é, sim, cultura. O Ocidente inteiro deve sua cultura – aquela que mais comumente costumamos chamar de cultura – à cultura cristã que lhe serviu de esteio formacional. Apagar isso é apagar a História e os valores para-religioso do cristianismo.
Mas isso não desfaz as características de fé do cristianismo. A fé nos une num ideal maior, a cultura é a periferia das expressões atinentes aos diversos grupos que se formam sob a mesma sombra, no caso, a da fé comum. Não me prolongo no tema por não ser a tese central, mas, como direi a seguir, as esferas não se misturam. Porém, por cuidar que não se misturem, não posso anulá-las.
Na Teologia Reformada, temos bem definida a questão das esferas. Não devemos misturá-las e isso é muito bom. Mas não considerar aspectos periféricos para não misturar as esferas é sinal de falso pietismo. Abraham Kuyper pode ser boa leitura a esse respeito. Por esse mesmo pressuposto algumas alas do cristianismo têm privado os fiéis de coisas boas da vida, na vã tentativa de preservar uma fé sã, sob a égide de costumes locais. Isso transformou a Apologética Cristã numa tábula de proibições e preceitos não teológicos. Isso também é reduto de cultura, mesmo que a consideremos subcultura religiosa. Não pensamos mais, não cremos mais, não dispomos mais nosso coração a buscar o que de fato tem relevância.
Sobre a taxa de natalidade, se ela não tivesse qualquer importância, a sombra da Igreja, o Israel do Antigo Testamento, além dos que o precederam na História bíblica, não teriam recebido tantas orientações com respeito à multiplicação necessária. Alguns podem argumentar que isso era no início, perto da Criação, com pouca gente no mundo. E depois, com um Estado, Israel, formado, porque a orientação de crescimento? Não seria uma das razões o estar aquele Estado em constante beligerância e, portanto, precisando ter mais gente que os povos contra os quais lutava sempre? E o Novo Testamento, tempo da Igreja, não diz que continuamos em guerra, sendo que agora não mais em armas, porém em esferas de espírito?
Bem, quem também parece se preocupar com as diversas facetas de crescimento irrestrito do Islã no mundo, inclusive com as taxas de fecundidade, é uma das maiores autoridades sobre essa religião entre os cristãos atuais, Don Richardson. Aliás, já que somos cristãos reformados, embora falando agora a todos os cristãos interessados no assunto, a citada autoridade fez alerta semelhante ao do vídeo em relação ao Brasil (!!), destacando que as coisas que retinem por lá haverão de soar por aqui um dia.
O artigo diz que Richardson denuncia “o perigo igualmente iminente do desaquecimento das taxas de crescimento populacional no ocidente. Está acontecendo um suicídio demográfico hoje entre os povos ocidentais e Richardson faz uma séria advertência quanto aos riscos que isso representa para a sobrevivência dessas sociedades, especialmente diante da grande ameaça que chega do mundo islâmico, caso permaneça a baixa taxa de natalidade com a drástica diminuição do número de filhos.” Um filmete disponível na rede traz informações a respeito, com dados e números contundentes: "O Crescimento do Islamismo no mundo"
Creio que isso nos ajuda a entender que baixas taxas de natalidade representam realmente riscos de desaparecimento de grupos sociais e seus bolsões, bem como podem representar o surgimento ou o crescimento programado de outros. Para quem quer saber quem é Don Richardson, talvez seja bom lembrar dois de seus excelentes títulos: “O totem da paz” e “Fator Melquisedeque”.
Quanto às baixas taxas de natalidade no Ocidente desenvolvido, que representariam o contraposto às altas taxas dos islâmicos, isso é coisa conhecida de todos e não precisa ser referenciada aqui.
No blog “O Tempora, O Mores!”, há um artigo bastante interessante sobre a condição numérica da Igreja. Como reformado, o Rev. Augustus Nicodemus, acusa a nós mesmos, também cristãos reformados, pela baixíssima presença de gente em nossas comunidades, salvo as exceções às quais ele mesmo se refere. Confira no artigo que se chama “Dez Motivos pelos quais Pastores Conservadores Costumam ter Igrejas Minúsculas”. Vale a pena dar uma lida.
Quando volto nossa atenção à Igreja como um todo, paro e penso nas ordens claras e objetivas deixadas por Cristo e mostradas ao longo de toda a Escritura a respeito de nosso crescimento. Imagino, sem querer ser auto-apologeta, que tenho alguns motivos, sim, para crer que o crescimento populacional islâmico levará os muçulmanos ao domínio cultural e religioso do Ocidente em algumas décadas. Por favor, você que me lê, entenda que as palavras a seguir não são técnicas, mas apenas de minha percepção como cristão. A Igreja do Senhor, como legado histórico-universal, está madura. Por estar assim, passou a se crer, como instituição, como algo contra o qual “as portas do inferno não prevaleceriam”. Embora a Igreja Visível seja a expressão temporal da Igreja Invisível, aquela à qual a Bíblia se refere é a transcendente, a Invisível. Infelizmente, contra a Igreja Visível, muita água pode rolar, muita perseguição pode acontecer, muito sofrimento pode se dar. E a História tem muitos casos para nos alertar.

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