A EBD – do século XVIII para o século XXI
- 3 de dez. de 2014
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Roberta Fonseca
“o que ensina esmere-se no fazê-lo”
Romanos 12.7b
A Escola Bíblica Dominical surgiu no século XVIII para atender a demanda de crianças que estavam às margens da sociedade inglesa, e que ficavam nas ruas sem atividades e sem acesso à educação formal. O Jornalista Robert Raikes sentiu-se incomodado com tal situação e iniciou uma escola em sua igreja em 1780. A escola atendia crianças pobres e ensinava a ler e escrever enquanto oferecia instrução bíblica.
A ideia de Raikes rapidamente se alastrou pelo país. Apenas cinco anos mais tarde, em 1785, foi organizada em Londres uma sociedade voltada para a criação de escolas dominicais. Um ano depois, cerca de 200.000 crianças estavam sendo ensinadas em toda a Inglaterra. No princípio os professores eram pagos, mas depois passaram a ser voluntários. Da Inglaterra a instituição foi para o País de Gales, Escócia, Irlanda e Estados Unidos. (MATOS)
Imaginem o impacto, espiritual e social, de 200.000 crianças tendo acesso à verdade do Evangelho e à educação formal! Nesse fato, o que mais me chama a atenção é que Raikes estava atento às necessidades sociais do seu tempo, sem perder de vista a necessidade espiritual de todo Homem.
Com o passar do tempo, as escolas dominicais passaram a ter também um cunho evangelístico e se espalharam pelos campos missionários:
A primeira escola dominical presbiteriana (no Brasil) foi iniciada pelo Rev. Ashbel Green Simonton em maio de 1861, no Rio de Janeiro. Reunia-se nos domingos à tarde, na rua Nova do Ouvidor. Essa escola aparentemente foi organizada de modo mais formal em maio de 1867. Um evento comum em muitas igrejas presbiterianas brasileiras nas primeiras décadas do século 20 era o “Dia do rumo à escola dominical”, quando se fazia um esforço especial para trazer um grande número de visitantes. (MATOS)
Saltemos até o século XXI. Hoje, muitas igrejas sofrem com a falta de adesão e comprometimento em suas classes de EBD – Escola Bíblica Dominical. Alguns membros não se interessam mais pelo estudo sistemático das Escrituras ou não percebem sua relevância, conformando-se apenas em frequentar – e a palavra frequentar é proposital, ao invés de participar – os cultos do domingo. E é inevitável que nossas crianças sejam atingidas por tal atitude, principalmente quando dependem desse adulto para estarem na EBD. Ter visitantes convidados conhecendo nossas escolas bíblicas não faz mais parte da realidade da grande maioria de nossas igrejas.
No entanto, percebe-se um despertamento salutar das igrejas em relação à EBD como um espaço propício para o conhecimento, crescimento e estudo das Escrituras. Em alguns casos esse despertar veio após não se ter mais alunos, infelizmente. Poderia dar aqui dezenas de motivos para isso, que variam de lugar para o outro, de acordo com a cultura local e a visão da igreja. O mais importante é que se percebe uma busca pela resignificância da EBD em nossos dias.
Algumas questões particulares desse tempo afetam diretamente as nossas Escolas Bíblicas Dominicais e a Educação Cristã. A informação em nossos dias é descartável, mutável e volátil. Todos nós somos bombardeados pela aceleração e quantidade de informação, dia após dia. Nossos alunos, os pré-adolescentes já nasceram nesse ritmo. E quando falamos de educação cristã não podemos isolá-la desse contexto maior no qual está inserida. Seria como tentar fazer o tempo não passar dentro das quatro paredes de nossa sala de aula. Torna-se necessário tomar medidas que tragam novas formas de comunicarmos as verdades essenciais do evangelho. Sem descartarmos tudo o que já foi feito, precisamos atentar para as novas possibilidades e espaços que permitam uma melhor compreensão do conteúdo precioso da Palavra de Deus.
Um olhar sobre as peculiaridades da igreja local, da comunidade onde está inserida e da sua membresia, antes de aplicar qualquer modelo de sucesso de ensino sistemático da Bíblia, poderá trazer uma nova dinâmica à EBD, que se refletirá na saúde do corpo de Cristo.
MATOS, Alderi. Pequena história da Escola Dominical. Disponível em: http://www.mackenzie.br/6980.html. Acesso em 03/12/2014

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